domingo, 26 de maio de 2013

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Acordei mais tarde do que gostaria. Tenho tentado levantar da cama cedo, fazer o dia render, mas a ansiedade em produzir alguma coisa, tendo o tempo em minhas mãos, justamente me mantém acordada até tarde demais - e o sono me cobra horas preciosas da manhã. Tomei café e fui me exercitar na piscina. Essa é uma das descobertas mais importantes desse quase semestre sabático que estou vivendo, mezzo por escolha, mezzo por contingência. Fazer exercícios me resgata o centro, a energia. De fato, eu poderia viver assim, sem a rotina de um trabalho fixo. Mas o aperto financeiro é uma questão angustiante. Traz essa sensação de incapacidade, de inutilidade, de rejeição. Não conseguir produzir dinheiro, manter uma vida que não é propriamente luxuosa - embora também não seja frugal, monástica - seria o mínimo para uma mulher da minha idade, da minha condição física e intelectual. Embora, por outro lado, eu acredite que os 15 anos de trabalho responsável, contínuo, devessem render automaticamente o direito à pausa remunerada, como uma dessas bolsas que o governo concede a quase todo gênero de vagabundos. 

Depois do pagamento do aluguel, seguido da conferência do meu extrato bancário e um sem numero de simulações de empréstimos, atravessei a rua e voltei pra casa. Perdeu o sentido ir ao cinema. Será que eu estava em condições de gastar, o que, R$2,75 de passagem (se não pegasse o ônibus com ar-condicionado), ida e volta dá R$5,50, mais R$10,50 a meia entrada do Artplex e coloca aí uns R$7 entre água e um snack - bala ou chocolate ou castanhas. Não existe hipótese de ir ao cinema sem uma gulodice pra acompanhar. Quem sabe no dia em que eu for de fato acompanhada ao cinema eu não precise mastigar. A última vez que isso aconteceu foi em setembro ou outubro (do ano passado), em um dos tantos single dates que protagonizei nos últimos tempos. Voltando pra hoje, dividi umas 3 horas de vida entre o quase-surto, sensação atingida após a tentativa de cancelar ou remarcar uma passagem pelo Smiles (sério, é a versão moderna e democrática da tortura psicológica; não recomendo nem ao meu pior inimigo, embora eu não o tenha. Aliás, se tivesse um inimigo, desejaria sim esse mal a ele) e um episódio de Mad Men. Essa série me encanta pelo desconforto sutil que causa. A frieza da época e dos personagens se opõe ao meu histrionismo natural, quase o agride. 

Pois bem, depois de usar o episódio de Mad Men como compensação ao tempo perdido no telefone, saí de casa rumo a uma experiência esotérica, um ritual da lua nova sob a liderança de D., meu astrólogo. Minha amiga A. me acompanhou (A. é talvez a única amiga mais velha do que eu, era desse tipo de companhia segura que eu precisava no dia de hoje, embora A. não seja propriamente um modelo de maturidade). Foi um momento rico, eu confio muito em D. como um interlocutor entre mim e as questões místicas, transcendentais. Isso basta para me emocionar. Eu sou tão desconfiada de quem se julga poderoso espiritualmente, mas ele tem o tom e a postura corretos. Fizemos, em um grupo de 15 pessoas, uma meditação forte e bonita, cada qual a imaginar uma luz branca que subia desde a planta de seu pé até o topo de sua cabeça, pontuando todos os chacras, e do alto a luz retornava através do terceiro olho (esqueci o nome dessa região entre as sobrancelhas) e de lá se conectava diretamente ao coração. Depois a luz partia de cada um e se unia a todas no meio da sala; e essa grande luz ia abarcando as dores da cidade, do pais, do mundo, do universo. 

Tentei escalar um time com todas as pessoas que amo e/ou sei que precisam ser banhadas pela luz de positividade - embora a minha energia carregada estivesse compondo aquela bênção, tentei ignorar esse fato. Meus pais e irmão, cunhada, tio, amigas, a mãe do de um amigo que está iniciando tratamento contra o câncer, uma senhora que me ajudou muito em um momento pregresso de fragilidade na minha vida (sim, sou reincidente), minha mãe de santo e ate uma bebê que eu soube estar gravemente doente. Essa recém-nascida é sobrinha da única pessoa no mundo de quem talvez eu possa dizer: não gosto, acho malévola e intragável. Por muito pouco não a odeio. Então pedi pela convalescença de sua sobrinha, com muita sinceridade e até algum conforto por ter pensado nela, entre tantas pessoas mais próximas e muito mais queridas. Eu era um fracasso, afinal, mas ainda me restava a compaixão.Vou dormir quase às duas para acordar às sete. 

Tenho uma entrevista de emprego amanhã às 9 no Centro. Com o sol, todas as esperanças renascem, e eu tô parindo uma por dia.

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